HISTÓRICO, ORIGEM E DADOS BIOGRÁFICOS

 

Beniamino Bergamin e Rosa Bistaco eram naturais de Riese província de Treviso, região de Vêneto - Itália.

Eram agricultores pobres e não possuíam terras, tinham que dar a metade da produção aos proprietários das terras.

           Por não possuírem terras, resolveram partir para o Brasil. Na esperança de dias melhores realizaram seu sonho, embarcaram para a América.

Nesta época Beniamino tinha 56 anos e Rosa 49. Com eles vieram seus filhos Giosepina com 28 anos e casada, Antonio com 24 anos, Isidoro com 18 anos, Giovana com 17 anos e Santo com 12, todos solteiros.

Embarcaram no porto de Gênova em novembro de 1887. Viajaram aproximadamente quarenta dias, chegando no Rio de Janeiro em 25 de dezembro de 1887.

No Rio de Janeiro ficaram dois dias, legalizando-se como imigrantes. O governo brasileiro custeou a viagem desde o Rio de Janeiro até Porto Alegre.

Retomaram, então, a viagem pelo mar a bordo do navio Paquete Italiano Paraná chegando na capital do Estado em 30 de dezembro do mesmo ano.

Em Porto Alegre foram recebidos pela comissão de imigração que os encaminhou à Colônia Dona Isabel (atual Bento Gonçalves). Chegando nesta localidade em 03 de janeiro de 1888.

Traziam consigo dois baús cheios de apetrechos, inclusive um quadro com estampa de Nossa Senhora da Saúde da qual eram muito devotos e de cujo fato acredita-se se ter originado a atual padroeira da matriz de Monte Vêneto, hoje Cotiporã.

Quando chegaram em Morte Vêneto receberam como lhe destinado pela comissão de imigração, uma terra que era denominada por "lote" e levava um número. Sendo assim, Antônio recebeu o lote número 30 e Santo o lote número 31 pelo qual cada um teria que pagar 0,62 mil reis com o prazo de 10 anos para efetuar este pagamento. Tanto Antônio como Santo, liquidaram sua divida em apenas um ano.

Sua primeira preocupação, nesta terra, foi construir sua moradia. Conseguiram erguer um ranchinho com ramos de árvores e cobertura de capim.

Permaneceram juntos até perto de 1897. Gente pobre e humilde, mas trabalhadora de coração rico e bondoso, viviam alegres, cantando e agradecendo a Deus.

Faziam economia em tudo, tanto no vestuário como na comida. Plantavam linho, preparavam o fio com a roca, teciam o pano e faziam suas próprias roupas, tudo a mão.

Era uma família extremamente católica, tinha uma profunda fé e gostava de trabalhar pela Igreja. Rezavam o terço todas as noites e antes de almoçar e jantar rezavam o "Agnus Dei".

O comércio dos produtos agrícolas era difícil, deveriam economizar ao máximo.

Cultivavam principalmente o milho e nos primeiros anos iam até Bento Gonçalves (50 km*) a pé, com duas quartas (aproximadamente quinze quilos), nos ombros até o moinho, onde o milho de forma muito rudimentar era transformado em farinha. A estrada que os levava a Bento Gonçalves eram atalhos, caminhos construídos com as marcas dos pés. Quando iam ao moinho e aproveitavam a oportunidade para comprar outras coisas, como o querosene, tendo em vista que em Monte Vêneto não havia, ainda, nem um estabelecimento de comércio.

Mais tarde essa atividade seria realizada a cavalo, com mulas cargueiras.

Em 26 de junho de 1897, às quatro horas da tarde, Santo Bergamin casava no civil com Catharina Tonello, filha de Matheus Tonello e Ângela Dal Palú. Serviram de testemunhas os irmãos de Santo, Antônio e Isidoro.

Este casamento foi abençoado com onze filhos: Martinho, Benjamin (Nino), Elisa, Lourenço (Meu Nono *), Angelina, Carmela, Rosa, Serafina, Maria, João e Joaneta.

Neste meio tempo nono Santo construiu sua nova moradia que contava de com uma enorme casa de madeira de dois andares, cantina, cozinha e sala de refeições separada. Para isso o nono se valeu de um empréstimo de 800 mil reis que fizera ao Ir. Mathias Zanette e adquiriu do mesmo toda a madeira necessária para a construção. Tudo isso foi feito por eles, desde os alicerces de pedras comuns até o telhado com tabuinhas trabalhadas à mão.

A madeira era serrada à mão, falqueada e aplainada com plaina de mão.

Ajudaram ainda, juntamente com as primeiras famílias aqui existentes, a construir a primeira capela que daria origem a Igreja Matriz. Para isso iam até a fazendinha (Fazenda da Velha), buscar as tábuas e as carregavam-nas nos ombros até onde se encontra a atual Igreja Matriz.

A família Bergamin prestou preciosa colaboração nesta construção.

A família iniciava a prosperar. As atividades agrícolas começavam a aparecer, assim os primeiros pés de parreiras, laranjeiras, bergamoteiras, limoeiros, cresciam. No potreiro algumas vacas leiteiras, mulas, galinhas e outros animais se multiplicavam.

Mas quando Catharina esperava seu décimo segundo filho, contraiu uma séria pneumonia e em conseqüência disso veio a falecer, com apenas 33 anos de idade.

Nono Santo diante desta nova realidade de vida, não teve outra alternativa a não ser casar outra vez.

Escolheu, então, para esposa Maria Magrin, filha de Ângelo Magrin e Regina Dola. Era ela viúva de Estefano Corteze com o qual tinha quatro filhos. Orestes, Stella, Aurélia e Dosolina. Todos pequenos ainda, pois o mais velho tinha oito anos.

Formou-se uma grande família, agora, já contava com quatorze filhos, sendo que um dos filhos de Santo com Catharina já havia falecido - Serafim.

 Essas duas famílias de Santo e Maria souberam viver juntas como irmãos, numa verdadeira fraternidade.

Deste novo casamento nasceram nove filhos, sendo três homens e seis mulheres que são: Regina(**), Isidoro, Margarida, Ângelo, Catarina, Inês, Joana (Nita), Terezinha e Luiz Antônio. Estava formada uma numerosa família. Quando sentavam à mesa eram quase sempre mais que vinte pessoas.

Santo e Maria souberam educar seus filhos apesar da numerosa prole e de toda sorte de dificuldades próprias da época em que viveram e que foram superadas graças à fé e a coragem dos dois.

 Nono Santo veio a falecer repentinamente em 25 de maio de 1947. Seu enterro teve anumerosíssima assistência, pois além de ter sido fabriqueiro da Igreja e confrade do SSmº era, benquisto de todos e sua falta foi muito sentida. O enterro foi realizado por dois sacerdotes. Pe. Ruy Lorenzi e Ernesto Mánica.

Maria faleceu anos mais tarde, em 17 de outubro de 1949 com 65 anos de idade.

 
             Este texto foi retirado do Livro CEM ANOS DA IMIGRAÇÃO DA FAMÍLIA BERGAMIN – 1887-1987. - De Regina Bergamin Soccol
 

 · * Sérgio Antônio Bergamin e Sérgio Antônio Bergamin JúniorSão os atualizadores das obras e webmasters desta página. - Alterações no texto e/ou material a ser inserido nesta, deverá ser enviado para: bergajr@pips.com.br  

· ** Autora da Obra inicial